19 de September de 2021

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Os dados apresentados pelo relatório Empreendedorismo Feminino no Brasil evidenciam um dos aspectos das desigualdades

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No Brasil, 8,6 milhões de mulheres são donas de negócios. O número é equivalente a 33,6% do total de pessoas que empreendem no país, uma porcentagem pequena quando comparada à de homens (66,4%), mas que fica ainda menor
quando é feito o recorte racial: mulheres negras correspondem a 47% do total de empreendedoras.
Os dados apresentados pelo relatório Empreendedorismo Feminino no Brasil (2021), produzido pelo Sebrae, evidenciam um dos aspectos das desigualdades racial e de gênero existentes no país. E ajudam a explicar o porquê da existência do Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, celebrado neste domingo (25), já que nem todas as mulheres são iguais ou têm as mesmas oportunidades.

“As mulheres têm dificuldades de empreender por conta do machismo estrutural. E as mulheres negras têm dificuldade dupla, por causa do machismo e do racismo. Além de sermos invisibilizadas, nós não temos muitas oportunidades ao nosso alcance”, relata a empreendedora Laís Lage, criadora da Saravá Sustentável, que a dois anos investe no setor de sustentabilidade.


O relatório Empreendedorismo Feminino no Brasil (2021) indica que as regiões Norte e Nordeste concentram as maiores porcentagens de mulheres negras empreendedoras. Na Bahia, estado onde Lage atua, elas correspondem a 82%. Contudo, Laís aponta que aquelas que possuem negócios ligados ao ramo de produtos sustentáveis são negligenciadas.


As mulheres que ganham destaque no setor de negócios ecológicos são do eixo Sul-Sudeste. Os eventos que abordam a pauta da sustentabilidade, raramente chamam pessoas negras para falar, não há um recorte racial na abordagem feita Desigualdades tornam o empreendedorismo de mulheres negras mais vulnerável sobre os negócios ecológicos”, afirma. Segundo ela, trata-se de uma invisibilização social que negligencia, inclusive, a cosmovisão das comunidades e povos tradicionais, já que entre os povos negros e indígenas a relação harmônica com os
recursos naturais é um dos princípios basilares.


Além da baixa representatividade numérica e invisibilização, Laís aponta outros entraves para sua atuação como
empreendedora no setor de negócios ecológicos. “Existe uma defasagem com relação à legislação e a configuração das empresas que têm surgido, com isso muitos negócios de impacto não conseguem se adequar por não cumprir uma série de exigências que não se aplicam à sua atuação”, explica. Além disso, ela evidencia a falta de incentivos para empresas que contribuem com a diminuição dos impactos ambientais no pós consumo, como é o caso da Saravá que aposta em produtos e embalagens biodegradáveis e compostáveis.


O levantamento realizado pelo Sebrae, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, aponta que as desigualdades sociais existentes entre mulheres brancas e mulheres negras é outro fator que dificulta o afro empreendedorismo feminismo. De acordo com as instituições, 36% dos negócios gerenciados por mulheres negras foram fechados, ainda que temporariamente, no primeiro ano de pandemia.


A pesquisa, que ouviu empreendedoras de todo o país, indica que a impossibilidade de atuar remotamente somada à
dificuldade de acesso a crédito foram os fatores que mais contribuíram para esse cenário. O levantamento apontou que 58% das mulheres negras que solicitaram empréstimo tiveram resposta negativa, 25% por possuírem CPF negativados

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