Volks diz ter 3,6 mil funcionários excedentes em fábrica de SP

Montadora quer rever acordo que mantém empregos até 2019.
Empresa alega que o mercado piorou muito desde então.

A Volkswagen abriu negociação para reorganizar a fábrica de São Bernardo do Campo (SP), que teria um excedente de 3,6 mil funcionários, segundo informou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A mão de obra que deve ser afetada pela reestruturação representa 34% dos 10,5 mil empregados do local.

Para evitar cortes em massa, a fabricante de veículos quer promover demissões voluntárias, redução de salários e corte de benefícios, apontou a entidade de trabalhadores.

No começo de 2015, a montadora chegou a demitir 800 pessoas, mas voltou atrás após 10 dias de greve. Na ocasião, a empresa fechou um acordo que garante o nível de emprego na planta Anchieta até 2019.

No entanto, o acordo valeria apenas para um cenário de produção acima de 250 mil veículos por ano seja atingido, marca que não será alcançada neste ano, afirmou o sindicato.

“As projeções da Anfavea apontam para uma indústria de 2 milhões de veículos em 2016, uma queda de praticamente 20% comparado a 2015, e 40% comparado a 2014, quando foi estabelecido o acordo trabalhista em vigência com os empregados da Volkswagen do Brasil, para a fábrica Anchieta”, informou a empresa em nota enviada.

“Por essa razão, a empresa retomou as discussões com o sindicato para que nas próximas semanas sejam construídas alternativas para o novo cenário que se impõe, além de outras medidas de eficiência e organização para a fábrica Anchieta”, completou a Volkswagen.

As vendas de carros da Volkswagen acumularam queda de 35% no primeiro semestre deste ano sobre o mesmo período do ano passado. Já os licenciamentos de comerciais leves da marca tiveram queda de 36% na mesma comparação.

Detalhes da proposta

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a negociação deve envolver cerca de 2,5 mil trabalhadores da produção e 1,1 mil da área administrativa.

A proposta foi apresentada pela Volkswagen na semana passada e inclui programa de demissão voluntária (PDV), utilização de Programa de Proteção ao Emprego (PPE) e layoff, alterações de salários, de funções, no banco de horas e na jornada de trabalho, além de recálculo da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

“Pela proposta apresentada, os trabalhadores ficariam sem reajuste salarial nos anos de 2017, 2018 e 2019”, afirmou o sindicato. Atualmente, 8,4 mil trabalhadores estão sob o regime de PPE, até 30 de setembro, e 610 estão em layoff, iniciado em março.

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