‘Tonel’ supera ‘pratinho’ como maior vilão da dengue, diz pesquisa de SP

Prefeitura diz que recipientes contra falta d’água têm 21,7% das larvas.
Número de casos da febre chikungunya em São Paulo quadruplicou.

Uma pesquisa divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde mostra que o principal vilão de focos da dengue não é mais o “pratinho” de planta, como era em fevereiro de 2015, e sim os recipientes usados para estocar água. O resultado é do estudo ADL (Análise de Densidade Larvária), realizado três vezes ao ano pela Prefeitura para indicar em quais recipientes estão os focos do mosquito.

O levantamento indica que a consciência da população em relação a manutenção do pratinho de planta aumentou, mas a falta de hábito de estocar água pode estar atrapalhando o controle do mosquito. “O principal foco são tonéis usados para guardar água pela falta de oferta regular na cidade”, disse o secretário municipal de saúde, Alexandre Padilha.

Em fevereiro deste ano, tonéis e recipientes usados para estocar água representavam 21,7% dos recipientes com larvas encontrados pela pesquisa. Tecnicamente é usado o termo “depósito não elevado não ligado à rede” para este tipo de recipiente.

Em segundo lugar, com 10,7%, está a categoria “balde/regador”, onde também estão baldes usados para acumular água. Juntos, os dois primeiros representam mais de 30% dos lugares de reprodução do mosquito.

Em terceiro e quarto lugar, ambos com 7,5%, estão as caixas d’água (chamada de Depósito Elevado Ligado à rede) e o prato de plantas.
Em fevereiro de 2015, o prato de plantas estava em primeiro lugar, representando 18,4% dos recipientes com larvas encontrados pelo estudo. Ele era seguido pelos tonéis para estocar água, balde/regador e pela categoria “vaso de planta na água”, que são as plantas aquáticas.

A pesquisa ainda lista outros tipos de recipientes como: lata, frasco, plástico, “consumo animal” (potes de água e comida de cães e gatos), bromélias, ralo externo, pneu, lona e garrafa descartável.

Para o estudo, foram analisados 11.968 recipientes com água em São Paulo. Destes, 318 tinham larvas.

Padilha acredita que a liderança da Zona Leste em casos de dengue possa estar relacionada com a falta de oferta de água no sistema Alto Tietê. “Isso pode ter a ver com aquilo que nós apontamos no final do ano passado, o fato da falta de oferta d’água regular, da interrupção de água na periferia está bastante direcionada agora pro sistema Alto Tietê, que concentra a falta da água na zona leste.”

Chikungunya

O número de casos confirmados da febre chikungunya em São Paulo quadruplicou na cidade entre o fim de janeiro e a metade de fevereiro, informou o secretário municipal de saúde, Alexandre Padilha, na tarde desta segunda-feira (14). Os casos de vírus da zika passaram de cinco para nove (sendo um deles autóctone, ou seja, contraído na própria cidade).

Em duas semanas, os casos de chikungunya passaram de sete (sendo cinco importados e dois contraídos no município) para 29 (sendo 25 importados e quatro autóctones). Dos quatro casos contraídos na cidade, três foram no Sacomã e uma em Pirituba. Em todo o ano passado, a pasta registrou 62 casos da doença, todos importados.

“Além do aumento do número de casos, sobretudo, o principal fator de alerta é a existência de quatro casos que foram transmitidos em São Paulo”, disse Padilha. “Não só esses dados, mas sobretudo a confirmação de casos autóctones é o principal fator de preocupação.”

Zika

Há nove casos de vírus da zika confirmados em São Paulo, sendo oito “importados” de outras regiões e um contraído na cidade. São 111 casos notificados, sendo 92 em investigação e sete descartados.

O secretário afirmou que, de outubro de 2015 a 10 de março deste ano, a cidade registrou seis casos de microcefalia ligados ao vírus da zika, todos de gestantes que viajaram (três mulheres para o Nordeste, uma pra Indaiatuba e duas em cidades do estado ainda não identificadas). Além destes seis casos, 19 foram descartados e 21 estão em investigação.

Dengue

O número de casos de dengue chegou a 1.983 até metade de fevereiro. No mesmo período de 2015 foram 2.280 casos, o que mostra uma redução de 13%. “Percebemos redução no crescimento do que vínhamos observado”, disse Padilha.

No entanto, o secretário afirma que é cedo para dizer que a redução permanecerá nas próximas semanas, já que esses números ainda são do período considerado pré-epidêmico. Já o número de notificações cresceu em relação ao mesmo período de 2015. Agora são 13.092 notificações, em relação a 6.007 no ano passado.

A cidade permanece com uma morte confirmada por dengue em 2015. A vítima foi um homem de 62 anos, que morava na região do Tremembé, na Zona Norte, com histórico de tabagismo e problemas cardíacos. Ele morreu em 19 de janeiro deste ano. Na rede de saúde, são 34 pessoas internadas pela doença.

Tenda

A tenda contra a dengue de Lajeado, na Zona Leste de São Paulo, realizou 721 atendimentos até esta segunda-feira (14), informou a Secretaria Municipal da Saúde. Lajeado é o distrito que teve mais casos de dengue na cidade em janeiro.

A tenda abriu no dia 24 de fevereiro. É uma estrutura montada pela Prefeitura com o objetivo de ajudar no controle dos casos de dengue e desafogar as unidades de saúde, que acabam com ala de emergência lotadas. No mesmo dia, uma unidade também foi aberta na Penha. Uma funciona na Estrada do Lajeado Velho, 392, na UBS/Chabilândia e a outra na Avenida Cangaíba, 3.722, na AMA/UBS/Cangaíba. Cada tenda faz até 150 atendimentos ao dia.

Primeiramente, o cidadão deve passar em uma unidade de saúde, passar pela triagem, realizar cadastro na sala de espera, para então adquirir o encaminhamento.

Nas tendas é possível realizar consultas entre 8h e 18h. Na tenda de Lajeado há dois clínicos, um pediatra e nove enfermeiros. O paciente fica em observação e, dependendo da situação, ele tem alta ou é encaminhado para um hospital.

Os cidadãos adquirem um cartão elaborado pela Secretaria Municipal da Saúde com sua identificação, sintomas e registro do exame clínico. É importante portar o documento em toda consulta para que os profissionais da saúde consigam acompanhar os casos.

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