SULLY – O HERÓI DO RIO HUDSON

Data de lançamento 1 de dezembro de 2016 (1h 36min)
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney mais
Gêneros: Biografia, Drama
Nacionalidade: Eua

SINOPSE E DETALHES

15 de janeiro de 2009. Logo após decolar do aeroporto de LaGuardia, em Nova York, uma revoada de pássaros atinge as turbinas do avião pilotado por Chesley “Sully” Sullenberger (Tom Hanks). Com o avião seriamente danificado, Sully não vê outra alternativa senão fazer um pouso forçado em pleno rio Hudson. A iniciativa é bem sucedida, com todos os 150 passageiros a bordo sendo salvos. Tal situação logo transforma Sully em um grande herói nacional, o que não o isenta de enfrentar um rigoroso julgamento interno coordenado pela agência de regulação aérea nos Estados Unidos.

Crítica

Em 15 de janeiro de 2009, um avião com problemas técnicos foi obrigado a pousar em pleno rio Hudson, que corta a cidade de Nova York. Por mais que a manobra tenha sido arriscada, ninguém morreu. Um feito como este é tentador para a indústria cinematográfica, pelo viés heroico aliado ao carimbo “baseado em fatos reais”, que amplifica a dramaticidade do ocorrido. Para narrar esta jornada, Clint Eastwood optou um filme sóbrio que quase sempre foge do sentimentalismo, onde também pôde demonstrar sua habilidade como realizador de forma a extrair o máximo de um roteiro bastante raso.

Baseado no livro “Highest Duty”, o roteiro escrito por Todd Komarnicki na verdade pouco tem a dizer além do acidente em si – e é justamente por isso que chama a atenção a habilidade de Clint em capturar a atenção do espectador, mesmo tendo que repetir temas e situações ao longo de um filme de apenas 96 minutos, o menor de sua carreira. De início bastante tenso, com a imagem do avião com as turbinas em chamas cruzando Nova York, Sully logo se torna um filme de investigação. Afinal de contas, o órgão regulador da aviação norte-americana deseja saber se o tal pouso era realmente necessário ou poderia ser evitado, pesquisando o feito a partir de simulações por computador. É quando entra em cena um dos aspectos mais interessantes, e óbvios, do longa-metragem: a importância do fator humano perante a frieza das máquinas.

Antes de exibir o pouso em si, Clint se dedica a situar tal contexto para o espectador. Além do ambiente burocrático da investigação, há o contraste entre o público e o institucional: Sully, considerado herói nacional e parabenizado aonde quer que vá, precisa superar as desconfianças internas. Por mais que a todos tenha salvo, o que está verdadeiramente em jogo é se era inevitável colocar a vida dos passageiros e tripulantes em risco, ao executar o pouso forçado no Hudson. Soma-se a isto os traumas pessoais do próprio Sully, que surgem aqui e ali na forma de pesadelos sobre o que poderia ter acontecido.

Diante de tal história, o diretor buscou para o papel de protagonista ninguém menos que o bom mocismo em pessoa: Tom Hanks. De cabelos grisalhos e movimentos mais lentos, ele automaticamente transmite ao público seu histórico como ator e pessoa, de forma a garantir a afeição imediata. Mais do que isso: imprime ao personagem um essencial aspecto humano, potencializado pela recusa íntima em se considerar um herói e na emocionante cena em que descobre que conseguiu salvar a todos. É o Hanks competente de sempre, mais uma vez demonstrando sua qualidade.

Conhecendo bem o material que tinha em mãos, Clint “esconde” a sequência principal de Sully de forma a que ela sirva dramaturgicamente aos questionamentos institucionais retratados. Desta forma, o esperado pouso forçado apenas é visto por completo na metade do longa-metragem, surgindo de forma grandiosa e tensa – tecnicamente, remete à impressionante sequência do tsunami em Além da Vida, também por ele dirigido.

Por mais que seja um filme competente dentro do que se propõe a ser – e bem mais contido do que tal material poderia resultar -, salta aos olhos uma certa pobreza de conteúdo em Sully. Há tão pouco a ser mostrado que o emblemático pouso forçado é apresentado três vezes, sob pontos de vista distintos, de forma a espremer seu impacto o máximo possível. Além disto, na reta final Clint enfim se rende ao sentimentalismo, seja na questão familiar levantada entre os passageiros ou mesmo no desfecho, em tom de homenagem. Mesmo com tais problemas trata-se de um bom filme, muito pelo aspecto técnico da tal cena do pouso forçado, pela competência de Tom Hanks em entregar mais um personagem bastante humano e, especialmente, pela bem sacada narrativa estrutural, que tira leite de pedra de um roteiro bastante problemático.

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