Sabor e Nutrição dos Nossos Pratos Típicos

Comida e Nutrição

Com a chegada da Copa do Mundo em nosso país apresentamos ao mundo a nossa cultura, a nossa estrutura, a nossa hospitalidade. É nesse momento, com a chegada de milhares de turistas em diversas regiões de nosso país, que a diversidade cultural brasileira mais se evidencia. Nesse caso, especialmente pela nossa culinária tão diversificada, fruto da intensa miscigenação de povos que foram habitando as regiões da nossa extensa terra Brasil e, também, pelo clima predominante em cada região.

Pratos saborosos, diversificados e ricos definem, de uma maneira geral, o que nós e os turistas encontraremos Brasil a fora. As peculiaridades gastronômicas de cada canto do nosso país remetem quem desfruta dos nossos sabores a momentos de prazer e fartura. Sim, no Brasil comemos bem, prezamos pela mesa farta. O hábito brasileiro de comer bem está associado à quantidade.

Mas, e a qualidade do que tradicionalmente consumimos, você sabe dizer qual é? Você conhece as propriedades nutritivas (e desnutritivas!) dos nossos pratos típicos?

Região Sul

Na Região Sul a culinária é fortemente marcada pelos costumes alemães e holandeses. Por lá encontramos com fartura churrasco e arroz de carreteiro, peixes e frutos do mar.

A carne faz parte da dieta humana em todo o nosso país e é também uma fonte importante de nutrientes e vários minerais como ferro e vitamina B12 além de ser uma das principais fontes de proteína para o nosso organismo. Mas ela deve fazer parte de uma alimentação equilibrada, assim como todos os alimentos. Não há problema em se consumir carne, o que se deve ter cautela é quanto consumir.

Como se não fosse o bastante, boa parcela da carne consumida nos tradicionais churrascos brasileiros vem acompanhada com o arroz carreteiro (preparado com carne de charque), a maionese, pão com alho, mandioca frita, feijão tropeiro, por aí em diante.

Quando se consome toda essa comida você está ingerindo uma grande quantidade de caloria.

Quanto ao ponto em que o churrasco deve ser consumido é bom lembrar que o equilíbrio também deve estar presente nessa escolha.

No preparo do churrasco, a fumaça do carvão solta substâncias cancerígenas como alcatrão e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. Dessa forma, quanto mais bem passada a carne, maior a concentração dessas substâncias cancerígenas na carne que você irá consumir. Então quanto mais distante do carvão estiver a carne mais saudável poderá ser o seu churrasco.

Mas se você está se perguntando se é possível fazer um churrasco saudável, então saiba que a resposta é SIM! Para isso, coloque a carne a uma distância de 40 cm do carvão, evite carnes bem passadas e prefira como acompanhamento legumes e vegetais sem a adição de óleos. Faça um vinagrete, uma boa salada de folhas, arroz branco e feijão de caldo.

Como eu disse, peixes e frutos do mar são também muito consumidos no Sul, especialmente no litoral de Santa Catarina. No preparo deles, prefira assados, ou cozidos e bom apetite!

Quanto à bebida o chimarrão é a característica principal da cultura sulista. Ainda que mais consumido no Rio Grande do Sul, o chimarrão, elaborado essencialmente a partir da erva-mate, dá a cara e o tom do povo sulista. Comprovações científicas mostram que a erva-mate é rica em vitaminas A, B1, B2, B6, C e E, proteínas e minerais como cálcio, potássio e magnésio, além de apresentar características antioxidantes devido à presença de flavonoides. A erva-mate quando consumida em forma de chá, ganha propriedades diuréticas, digestivas e estimulantes.

Região Sudeste

No Sudeste, a cozinha, essencialmente influenciada por portugueses, indígenas e africanos, é marcada pela predominância de alimentos simples como raízes, carnes variadas, grãos e vegetais que foram sendo disseminados pelos estados sudestes e com preparos diferentes, formaram novos pratos que preservam similaridades. A exceção é a culinária capixaba que mais se assemelha à nordestina.

A famosa combinação de arroz e feijão é muito consumida nos estados do Sudeste, além de ovos, massas, batatas e polvilho muito utilizado na produção de biscoitos, especialmente no território mineiro.

Quitutes e guloseimas também são características gastronômicas fortes do Sudeste, em função do preparo de bolos, biscoitos e pães regados a muito óleo vegetal e açúcar. É aí que mora o perigo. O açúcar, como já é largamente difundido, é inimigo dos hábitos saudáveis e do coração. Aumenta significativamente o risco de desenvolver doenças cardíacas e diabetes. Associados a esses males estão o glúten e o leite. O primeiro, presente na aveia, centeio, cevada e, principalmente, na farinha de trigo, desencadeia em nosso organismo reações inflamatórias e agride as paredes do nosso intestino, prejudicando a absorção dos nutrientes.

Já o vilão do leite é a lactose para quem tem intolerância ou alergia. Também é vilã para todos nós, independente de intolerância / alergia diagnosticada, a proteína encontrada no leite de vaca. Tal como o glúten, o leite gera em nosso organismo processos inflamatórios. Leite, só da mãe!

Voltando à casadinha arroz e feijão, você não imagina como é importante e saudável consumi-la. Esses alimentos se completam em aminoácidos. O que falta em um, sobra em outro e vice-versa. O arroz é pobre no aminoácido lisina que por sua vez é encontrado em abundância no feijão. Já o feijão é pobre em metionina enquanto que o arroz é rico neste aminoácido. Esses dois aminoácidos são considerados essenciais para a vida humana. E para quem não sabe, os aminoácidos são importantes na formação das proteínas!!!
Arroz e feijão podem ser consumidos separadamente, mas quando se “casam” tornam-se uma combinação perfeita.

Além disso, o feijão é riquíssimo em ferro e principal componente da nossa tradicional e deliciosa feijoada.

Região Centro-Oeste

Os estados da Região Centro-Oeste são possivelmente os que sofreram maior influência da culinária predominante em outros estados do nosso país. A gastronomia goiana se assemelha à mineira. No DF a culinária nordestina é muito influente. Já nos demais estados, a culinária é altamente influenciada pela pecuária, devido a principal atividade econômica da região. Peixes e carnes exóticas da fauna pantaneira fazem parte do cardápio dos Estados de MT e MS.

Em MT e MS consome-se o tererê, uma bebida à base de erva-mate cujo preparo se assemelha ao chimarrão, porém é consumida fria.

Devido especialmente à derivação nordestina, veja minhas orientações para degustar (e preparar) um bom prato nordestino.

Região Nordeste

Ahhhh! O Nordeste! Carnes, peixes, frutos do mar, doces, frutas… um pouco de tudo. Assim como as demais regiões, o Nordeste “sofre” na culinária de forte influência das culturas portuguesa, indígena e africana. Tapioca, vatapá, moqueca, sarapatel, bobó, acarajé, carne de sol, buchada de bode, manteiga de garrafa, rapadura, cocada, quindim, cajá, seriguela, graviola, caju, pitanga, jambo. O texto seria bem mais extenso se eu falasse do bom e ruim de cada alimento.

Então, de uma maneira geral, vou falar sobre ingredientes fartos na “pesada” culinária do Nordeste cujos pratos são regados a açúcar, gorduras e pimentas.

Eu caracterizo açúcar como droga porque causa dependência. Sempre brinco que no mercado deveria existir um setor que se vende drogas e lá colocar entre outros “alimentos” o açúcar, um mal desnecessário. A “universalização” do açúcar está associada com o aumento na incidência de doenças comuns atualmente, como câncer, obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares.

O açúcar é absorvido muito rapidamente no nosso organismo e quando chega ao cérebro tem ação prazerosa fazendo-nos liberar dopamina e serotonina, dando a sensação de prazer e felicidade. Por isso ele é viciante. Faz praticamente o que drogas ilícitas fazendo no nosso organismo.

Então você se pergunta: Como vou poder degustar das delícias do Nordeste? Tudo (ou quase tudo) tem açúcar!!!!

Eu respondo: deguste, mas com moderação. Para se fazer doces como os tradicionais nordestinos, não há substituto para o açúcar. Sendo assim, o jeito é apreciar com cautela.

Quanto aos pratos salgados, prefira os grelhados ou ensopados sem adição de gorduras como o creme de leite. Cerca de 25% de uma lata ou caixinha de creme de leite, é composta de gordura ruim!

Quanto às pimentas, muito utilizadas no Nordeste, são benéficas para o organismo porque possuem ações antimicrobiana, anti-inflamatória, anticancerígena, melhoram a digestão e aceleram o metabolismo por meio do efeito termogênico. Portanto, a pimenta pode ser uma forte aliada se você quer emagrecer.

Região Norte

O Norte é a região do nosso país mais conhecida por oferecer pratos exóticos a base de carnes de animais selvagens e folhas. Essas combinações dão ensopados deliciosos como o pato no tucupi e a maniçoba.

A carne de pato destaca-se pelo seu alto teor de proteína de boa qualidade e seu importante porte vitamínico, além de seu sabor marcante e delicioso. As vitaminas A, B3 e C bem como os minerais ferro, selênio e cálcio, em quantidades significativas na carne de pato, promovem a saúde de várias maneiras. Já o tucupi, caldo proveniente do manejo da mandioca brava, é rico em betacaroteno que possui propriedades antioxidantes fundamentais na inibição dos radicais livres. O tucupi também é rico em vitamina A, com benefícios à saúde humana, aumento da imunidade, elasticidades à pele e atuação no metabolismo de gordura.

Você ainda tem dúvida quanto aos benefícios desse prato único e saboroso que é o pato no tucupi? Espero que não!

O açaí que se difundiu pelo nosso país é um alimento tipicamente do Norte. Lá ele é muito consumido com a farinha de tapioca, proveniente da mandioca.

Falando primeiro do açaí: é um alimento muito temido devido a sua elevada densidade calórica, contudo é muito prestigiado por quem busca ganho de massa muscular e energia. O açaí tem fortes propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. É também fonte de ácido graxo monoinsaturado oleico, o mesmo encontrado no azeite de oliva e associado à cardioproteção. É rico em fibras, pobre em carboidratos e com baixa carga glicêmica. Entre os micronutrientes presentes no açaí destacam-se a vitamina E, minerais como o manganês, magnésio, cálcio e cromo.

Tudo que falei até agora foi do açaí como produzido e consumido no Norte, SEM adição de açúcar e xarope de guaraná conforme é distribuído em outras partes do país. Além disso, no Norte eles consomem o açaí com farinha de tapioca que é feita a partir da raiz triturada e prensada da mandioca. A farinha é carboidrato puro e seu valor nutricional é pobre. Apesar de parecer incoerente, a farinha de tapioca pode ajudar na sua dieta porque a tapioca entra no nosso cardápio substituindo o pão e o biscoito. Dessa forma a tapioca não contém glúten, nem gordura, nem sódio. A raiz da mandioca que dá origem à farinha de mandioca é caracterizada por ser neutra e por isso ajuda a estabilizar o pH do corpo, auxiliando no tratamento da acidez do intestino.

No Norte encontramos ainda em abundância a Castanha-do-Pará que por ter conquistado o nosso país com suas propriedades acabou batizada país a fora de Castanha-do-Brasil. Possui nutrientes como ácidos graxos, vitaminas B e E, proteínas, fibras, cálcio, fósforo e magnésio. Mas quem dá show de benefícios na castanha-do-pará é o selênio, um mineral altamente antioxidante que promove a longevidade.

A ingestão de duas castanhas diárias eleva em até 65% o teor de selênio no sangue. Devido a sua ação no envelhecimento das células o selênio combate o aparecimento de tumores e doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. Isso tudo sem ainda falar da tireoide que na presença de selênio funciona a pleno vapor. Mas como tudo nessa vida, CUIDADO! A castanha é uma oleaginosa e com tal é rica em gorduras (apesar de 70% de uma castanha ser composta de gorduras do bem – ácidos graxos). Mesmo assim consuma o suficiente para manter o seu organismo em pleno funcionamento.

Agora que você já sabe um pouco das propriedades nutricionais dos nossos pratos típicos, aproveite para saborear com moderação! Bom apetite!!!

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