Renan Calheiros diz que investigações da Lava Jato são ‘intocáveis’

Em gravação, presidente do Senado diz que Janot faz o que ‘força-tarefa quer’.
Renan negou ‘iniciativa’ ou ‘gestões’ para dificultar investigações.

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) afirmou nesta quinta-feira (26), por meio de nota, que as investigações da operação Lava Jato são “intocáveis”. O parlamentar negou que tenha tomado “iniciativa” ou feito “gestões” para dificultar ou obstruir apurações.
Em conversa de 11 de março gravada com o ex-senador e ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que teve acordo de delação premiada homologado pela Justiça, Renan critica o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O peemedebista chama o procurador de “mau-caráter” e afirma que Janot faz “faz tudo o que essa força-tarefa [da Lava Jato] quer”.

“O Senador Renan Calheiros reitera que não tomou nenhuma iniciativa ou fez gestões para dificultar ou obstruir as investigações da operação Lava Jato, até porque elas são intocáveis e, por essa razão, não adianta o desespero de nenhum delator”, afirmou no comunicado.

O texto também informa que Renan “não pode se responsabilizar por considerações de terceiros sobre pessoas, autoridades ou o quadro político nacional”.

Em gravação divulgada nesta quarta-feira (25), Renan e o ex-senador José Sarney (PMDB-AP) conversaram também sobre proibir que pessoas presas façam delações premiadas, ideia que prejudicaria a operação Lava Jato, já que algumas delações foram fechadas por suspeitos presos.
“O importante agora, se nós pudermos votar, que só pode fazer delação, é só solto”, diz Sarney na conversa. “Que só pode solto, que não pode preso. Isso é uma maneira sutil, que toda sociedade compreende que isso é uma tortura”, afirma Renan.

Na nota enviada à imprensa, Renan diz que suas opiniões sobre “aprimoramentos de legislação” são “públicas”. “Reafirma ainda que suas opiniões sobre aprimoramentos de legislação foram e continuarão públicas. Não apenas ao tema mencionado nos diálogos, mas também na defesa de que a pena para delações não confirmadas sejam agravadas”, diz o texto.

Em outro conversa, do dia 24 de fevereiro, Sérgio Machado mostra Renan orientando uma pessoa identificada como Wanderberg, suposto representante de Delcídio do Amaral (sem partido-MS), sobre como fazer a defesa do então senador. Delcídio teve o mandato cassado no último dia 10 pela unanimidade dos votos dos senadores presentes.

Na época em que foi feita a gravação, o processo de Delcidio ainda estava no Conselho de Ética, e Renan não sabia que Delcidio já era delator da Lava Jato. Renan afirma, na gravação, que é preciso o presidente do conselho, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), pedir diligências para não parecer que a investigação estivesse parada. Ele ainda sugere que Delcídio faça uma carta mostrando humildade e que já pagou o preço pelo que fez.

“O que que ele (Delcídio) tem que fazer… Fazer uma carta, submeter a várias pessoas, fazer uma coisa humilde… Que já pagou um preço pelo que fez, foi preso tantos dias… Família pagou… A mulher pagou…”, diz Renan na conversa gravada. “Falei agora com o João (João Alberto, presidente do Conselho de Ética). O João, ele fica lá ouvindo os caras… O Conselho de Ética não tem elementos para levar processo adiante. Também é ruim dizer que não vai levar o processo adiante. Então, o Conselho de Ética tem que requerer diligências requisição de peças e enquanto isso não chegar fica lá parado”, disse o presidente do Congresso.

Na nota divulgada nesta quarta, Renan se defendeu. “Quanto ao caso do ex-senador Delcídio do Amaral, o senador lembra que acelerou o processo de cassação no plenário às vésperas da votação do impeachment. O desfecho do processo de cassação é conhecido, foi público e a agilização do processo foi destaque em vários jornais. Na fase do Conselho de Ética opinou com um amigo do ex-senador, mas disse que o processo não podia ficar parado, como não ficou.”

Veja a íntegra da nota de Renan Calheiros:

O Senador Renan Calheiros reitera que não tomou nenhuma iniciativa ou fez gestões para dificultar ou obstruir as investigações da operação Lava Jato, até porque elas são intocáveis e, por essa razão, não adianta o desespero de nenhum delator.

Quanto ao caso do ex-senador Delcídio do Amaral, o senador lembra que acelerou o processo de cassação no plenário às vésperas da votação do impeachment. O desfecho do processo de cassação é conhecido, foi público e a agilização do processo foi destaque em vários jornais. Na fase do Conselho de Ética opinou com um amigo do ex-senador, mas disse que o processo não podia ficar parado, como não ficou.

O Senador não pode se responsabilizar por considerações de terceiros sobre pessoas, autoridades ou o quadro político nacional.

Reafirma ainda que suas opiniões sobre aprimoramentos de legislação foram e continuarão públicas. Não apenas ao tema mencionado nos diálogos, mas também na defesa de que a pena para delações não confirmadas sejam agravadas.

Assessoria de Imprensa
Presidência do Senado Federal

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