O terreno abandonado no centro de Curitiba que virou praça pelas mãos da própria comunidade

No fim de 2013, um terreno abandonado em uma esquina do centro de Curitiba viu seu destino mudar totalmente quando chamou a atenção de um grupo que passava pelo local.

O tal grupo, formado por ciclistas da ONG CicloIguaçu, cuja sede fica próxima ao local, ficou intrigado com o lugar, e resolveu investigar quem era o dono do terreno baldio. Depois de muita procura e um pouco de paciência, eles descobriram que pertencia a Prefeitura (nem a própria Prefeitura sabia disso!). Tiveram então a incrível ideia de transformá-lo em uma praça pública para que toda a comunidade pudesse usufruir daquele espaço até então perdido no meio do caos da cidade.

“Descobrimos que aquele terreno era da prefeitura, fomos lá e pedimos pra eles uma praça no local. O projeto arquitetônico foi feito em parceria com um arquiteto amigo nosso e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, o IPPUC.”, conta Yasmim, uma das idealizadoras do projeto.

Mas, segundo o presidente do IPPUC, Sérgio Póvoa Pires, para construir no local seria preciso abrir uma licitação, algo burocrático e demorado. Foi então que, em busca de uma alternativa para viabilizar a praça, resolveram doar o espaço para a comunidade, revitalizando assim o centro da cidade de um jeito inusitado.

A prefeitura doou o terreno, forneceu a terraplanagem e todos os materiais necessários. A construção da área de 127m² ficou por conta de voluntários que, por três meses, trabalharam debaixo de sol e de chuva contribuindo cada um da sua maneira para que a Praça de Bolso do Ciclista saísse do papel.

Pelo menos 200 pessoas ajudaram na obra. “Enquanto arrumávamos o espaço, as pessoas que passavam pela rua também se solidarizavam e acabavam dando sua contribuição. Rolou até comida e cerveja!”, disse o coordenador da ONG, Vinícius Brand.

Hoje, a praça virou referência na cidade, sendo palco de várias intervenções artísticas locais e nacionais, já tendo sediado shows, peças de teatro, filmes ao ar livre e até uma feira de orgânicos, além de ser um local de encontro entre amigos no fim de semana.

Um belo exemplo de ocupação do espaço público, feito de forma pacífica através de uma parceria Estado/Comunidade, simbolizando a transformação da cidade através de seus próprios atores!

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