MATE-ME POR FAVOR

Data de lançamento 15 de setembro de 2016 (1h 41min)
Direção: Anita Rocha da Silveira
Elenco: Valentina Herszage, Dora Freind, Julia Roliz mais
Gênero: Suspense
Nacionalidade: Brasil

SINOPSE E DETALHES
Não recomendado para menores de 14 anos

Na região da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a rotina de Bia, uma jovem de quinze anos, e de João, seu irmão de 25 anos de idade, é alterada por uma série de assassinatos sombrios. Este caso acaba ilustrando alguns dos principais problemas enfrentados pela juventude atual.

Crítica

Nos últimos anos, com filmes como A Alegria, Trabalhar Cansa, Quando Eu Era Vivo e mesmo O Som ao Redor, o cinema de gênero vem ganhando cada vez mais destaque na cinematografia brasileira. O mais novo exemplo é Mate-me Por Favor, escrito e dirigido por Anita Rocha da Silveira. Como as obras citadas acima, este último também não fica apenas na construção de um suspense. Aproveita sua história para desenvolver seus personagens e transmitir uma visão crítica do mundo de hoje.

O suspense aqui é apenas a via para se tratar de algo maior, no caso a juventude. Poucas vezes no cinema nacional, as angústias e incertezas dos jovens foram tão bem construídas. Trata-se de um filme sobre juventude, focando o misto de solidão e agito que permeia a vida dos adolescentes. É difícil crescer, mas também é muito divertido.

O filme já mostra o que quer dizer em uma de suas primeiras tomadas. A câmera centralizada, foca numa jovem em frente à uma bomba de gasolina. Ao fundo, à esquerda da bomba vemos vários jovens animado. Já à direita temos o vazio, a solidão. Mate-me Por Favor é sobre isso. Sobre a solidão do banheiro e da volta pra casa. Sobre o barulho do recreio e das festas.

Bia (Valentina Herszage) é uma garota de 15 anos que mora com o irmão. A mãe é uma figura ausente, que fica sempre com o namorado e só passa lá para deixar dinheiro. Ao lado das amigas, ela fica perturbada com a série de assassinatos que acontecem na região onde mora, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

É curioso notar que estamos diante de um filme sem adultos. Pais, professores, policiais… Todos existem neste universo, mas não são destacados. O foco está completamente nos jovens, que passam por um momento de descoberta. Além de lidarem com o próprio medo de crescer e se tornar adultos, eles devem lidar com o fato de que estão todos ameaçados pela figura misteriosa de um assassino.

Todo o elenco jovem merece destaque, mas é Herszage quem rouba a cena ao exibir delicadeza, sensualidade e um fundamental ar de mistério e incerteza. Outro “ator” importante na história é a Barra da Tijuca. O bairro carioca é retratado como o cenário perfeito para um filme de horror, com avenidas sem calçadas e muitos espaços abertos pouco frequentados. O longa foca no lado claustrofóbico do bairro. Não há praia. Existem sim vários e vários prédios. Todos enormes, todos iguais.

A diretora demonstra muito talento na construção do suspense, sem precisar revelar demais. Por sinal, o mistério em torno do responsável pelos crimes é fundamental no desenvolvimento do clima, que é de medo, mas também de paranoia. Ela contou com a ajuda fundamental do diretor de fotografia João Atala, cujo trabalho com cores é fabuloso, seja em tomadas mais limpas na escola ou nas cenas de noite, que contam com um tom azul bem forte, com certa pitada de vermelho, numa referência clara ao sangue.

Cabe destacar ainda a incrível trilha sonora da produção, que vai do funk ao gospel passando por Claudinho e Bochecha e Tommy James & The Shondells. As músicas, por sinal, estão todas inseridas na narrativa e são importante parte do longa, gerando até mesmo inusitados momentos musicais.

Um filme raro sobre a juventude. Sobre a alegria e o desespero. Um exemplo raro no cinema brasileiro.

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