Instagram da Leitora: ‘larguei a faculdade de moda e estou vivendo de flor’, conta Ana Jú

Juliana Mendonça vende coroas de flores durante suas andanças pelo Brasil.

Em julho de 2009, durante as férias escolares, há exatos sete anos, Juliana Mendonça percebeu que não tinha vontade de viajar para os mesmos lugares que suas colegas. “Enquanto minhas amigas estavam preocupadas em tirar nota alta para não perder aquela viagem de compras em Nova York, eu estava focada em testar os meus próprios limites de desapego e autoconhecimento”, conta Ana Jú, que colocou uma mochila nas costas, cheinha de roupas confortáveis, uma barraca e uma rede, deixou o celular na gaveta do quarto e saiu rumo ao sol da Chapada dos Veadeiros, Alto Paraíso (literalmente) de Goiás.

Para Juliana, mochilar é “viver o presente, o real, o agora. Se jogar sem medo, sem rumo, sem planos”. Com as viagens, Jú percebeu que é com desapego material que se constrói triunfos. “Parece poesia, mas tenho vivido muito isso na minha realidade. Acredito na linha do destino desenhada em minha mão esquerda. Quando estamos realmente conectados com o mundo, de uma forma não material, o Universo corresponde“, afirma.

      

Como diz em sua bio do Instagram, Ana é uma caçadora de si mesma. Ela cresceu em uma família mega espiritualizada, o que contribuiu para que ela seguisse seu caminho de um jeito tão único e curioso para muitos. Quando pequena, Ana Jú dormia ouvindo histórias de bruxas e elfos contadas pelo pai. Para ela, sua vida tem sido uma verdadeira escola de autoconhecimento: “só no fato de você buscar sua própria interpretação, aceitando o ponto diferente do outro e somando tudo isso no final das contas, já vence o desafio do ego e da vaidade. Religião para mim é isso: consciência”, afirma a jovem de 23 anos, com sérias dificuldades de responder onde mora: “digamos que tenho um relacionamento aberto com Goiânia!”, brinca.

Taurina com ascendente em Aries e Lua em sagitário, Ana Jú Flores pega no batente desde os 13 anos, quando começou a trabalhar como modelo em alguns eventos da cidade em que morava. Depois, foi trabalhar em uma loja no shopping, emprego que ela não sente saudade. “Pura escravidão! Hoje, o que eu ganhava em um mês de tédio, eu tiro em um fim de semana vendendo minhas coroas de flores por ai, pisando descalça na grama ou na areia, no mar ou na cachoeira “, conta a florista, que sobrevive de vender a sua arte. “Larguei a faculdade de moda para isso. Não estou para esse sistema, não. Estou vivendo de flor. E estou ganhando o mundo! Rico é quem tem tempo. Rico é quem acumula experiências”.

Para quem sonha em se tornar uma mochileira, Jú aconselha a começar pelo seu próprio país, antes de querer desbravar o mundo lá fora. Desse jeito, você vai ganhando confiança. “A melhor forma é começar viajando para as casas de amigos, e amigos de amigos… Quanto mais eu viajo, mais eu volto com novas amizades e novos destinos! O mais incrível é fazer tudo isso sozinha, em sua própria companhia. É um grito existencial de liberdade. Ir tomar um café com o povo daquele lugar e conhecer a história e a cutura deles é adquirir mais conhecimento de vida do que ficar visitando monumentos e tirando selfies neles. Se você quer se conhecer, mergulhe em você mesma e viaje sozinha!”, dá a dica.

E você não precisa de muito para isso! Dinheiro é algo que você vai consquistando no meio do caminho, fazendo uns bicos aqui e ali. A parte mais complicada mesmo é ter o apoio da família, e a Juliana tirou a sorte grande! “Eles são de uma geração mais conservadora, mas nunca deixaram de me apoiar. O segredo é não perder a confiança, mostrar seus objetivos, assumir ao invés de só desejar independência. Expor seus pontos de vistas, na melhor forma serena e cheia amor. É deixar seus pais verem o brilho que fica em seus olhos quando volta pra casa, cada vez mais mulher-menina”, aconselha.

Vendo essa Juliana-Do-Mundo, é difícil imaginar que ela, agora, tenha resgatada aquele celular guardado na gaveta do quarto e utilizado as redes sociais para contar quem ela é, no que acredita, por onde anda. “Tudo tem seu ponto positivo e negativo. Luz e sombra. Se soubermos administrar bem e agir com consciência, podemos ganhar muito com a internet. Mas sempre nos autovigiando, para que nosso ego não roube a nossa essência. Sou Juliana Mendonça, mas também sou Ana Jú Flores. Acredito na magia da gratidão e do pensamento positivo. Na hipérbole do amor livre, e nas causas justas e sociais. Juliana-Do-Mundo. Juliana de todo mundo. Jú”. Muito prazer!

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