Frio aumenta vendas de cobertores ‘de doação’ e esgota estoques no Rio

Em três horas foram vendidos 360 cobertores em apenas uma loja.
82% dos lojistas dizem que frio está impactando o comércio, mostra pesquisa.

O frio que vem batendo recordes no Rio de Janeiro tem afetado o comércio da cidade. Na Saara, área de comércio popular a céu aberto no Centro do Rio, as baixas temperaturas têm sido motivo de comemoração para os lojistas que vendem casacos, cobertores e acessórios de inverno. Em apenas uma loja, foram vendidos 360 cobertores “de doação” em três horas.

Vendedor há 28 anos, Jorge Luiz celebra o movimento na Sociedade dos Amigos e das Adjacências da Rua da Alfândega, Saara, tanto pelo aumento das vendas quanto pela solidariedade das pessoas que estão comprando os cobertores para doar.
“O frio começou mais cedo neste ano. Estamos vendendo muitos cobertores de doação. Ainda há muita gente de bom coração. O que tínhamos para vender hoje já acabou, e está chegando mais”, disse, acrescentando que outros 1.200 cobertores para solteiros e 660 para casal chegarão no dia e que todos “já estão vendidos”.

A cidade foi tomada pelo frio desde o fim de maio. No dia 13 de junho, os termômetros chegaram a registrar 8,6ªC, a menor temperatura para o Rio de Janeiro em 14 anos.

Frio aquece comércio

O frio vem aquecendo também a venda de calças e casacos, informou a gerente de loja alagoana, Aline Araquam, de 32 anos, que mora no Rio de Janeiro há quatro.
“Casaco é o foco [de busca na loja onde trabalha]. Esse frio pegou os comerciantes de surpresa. Ana passado não teve vendas. Estamos vendendo o estoque todo do ano passado”, comemorou.
Segundo pesquisa do Centro de Estudos do Clube de Diretores Lojistas (CDLRio) feita a pedido do G1, 82% dos comerciantes afirmam que a mudança brusca na temperatura da cidade “está influenciando a venda”. Entre os ouvidos, 86% não estavam preparados para o movimento. Entre eles, 53,5% por causa “dos estoques encalhados do ano passado”.

“As vendas nesse ano melhoraram com certeza. Em maio já começou. Ano passado foi muito ruim. Hoje, com esse tempo mais frio as vendas estão melhorando muito. O estoque do ano passado já foi tudo. De doações [cobertores] não tem mais nada. Estamos esperando chegar mais”, relatou a vendedora Josélia Fernandez, de 44 anos, que trabalha em uma loja de roupas de cama há 23 anos.

O vendedor Tiago Barral, de 29 anos, também está sentindo que o movimento aumentou na loja onde trabalha no Saara.
“Estamos vendendo cachecol, luvas, gorros. E estamos vendendo bem”, disse. De acordo com a pesquisa do CDLRio, 62% da procura é por artigos de vestuário, como casacos e camisas de manga comprida, seguido de 26% por acessórios como meias, cachecóis, segunda pele, luvas de lá, toucas e cobertores.

A pesquisa do CDLRio mostrou ainda que para 88% dos lojistas as vendas estão boas. Apenas 11,6% apontaram como “iguais” às do ano passado, e 0,4%, como “pior”. Segundo os comerciantes, o aumento nas vendas está em torno de 10% a 20% para 86,4% dos ouvidos. Para 12,5%, o crescimento foi de 20 a 25%, e acima de 30%, somente 1,1%.

Segundo os lojistas desses segmentos, “a queda brusca da temperatura do Rio de Janeiro, trazendo um inverno que há muitos anos não se tinha, está estimulando a venda de produtos desta estação. Como no Rio os clientes não têm hábito de comprar roupas de frio e aqui está gelado, o estoque preparado para esse ano foi pequeno, e o que se tinha do ano passado já foi todo ou quase todo vendido. O lojista diz que está enfrentando dificuldade, por falta de tempo hábil, de repor as mercadorias, e isso pode ser um motivo para não se ter aumento maior nas vendas”, informou o Centro de Estudos do CDLRio.

Além do frio, 70% dos lojistas ouvidos afirmaram que venda fraca no ano passado também impactam melhores vendas neste ano.

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