Ex-tesoureiro do PT se apresenta à Justiça de São Paulo, diz procurador

Paulo Ferreira prestará depoimento e sairá preso de fórum.
Ele é um dos investigados na Operação Custo Brasil, da PF.

O procurador da República Rodrigo de Grandis disse nesta sexta-feira (24) que o ex-tesoureiro do PT Paulo Adalberto Alves Ferreira apresentou-se no início da tarde na Justiça Federal. Ele deve permanecer preso.
“Paulo Ferreira já se apresentou e sairá preso daqui”, afirmou.
De acordo com o procurador, cinco detidos na operação Custo Brasil foram ouvidos pela Justiça Federal. O ex-ministro Paulo Bernardo deverá ser ouvido no final da tarde.

Segundo o Ministério Público Federal, a empresa contratada pelo Ministério do Planejamento para gestão de crédito consignado a funcionários públicos , o Grupo Consist, cobrava mais do que deveria e repassava 70% do seu faturamento para o PT e para políticos. A propina paga entre 2009 e 2015 teria chegado a cerca de R$ 100 milhões. “Dezenas de milhares de funcionários públicos foram lesados”, disse o superintendente da Receita Federal em São Paulo, Fábio Ejchel.

Ferreira é marido da ex-ministra do Desenvolvimento Social no governo Dilma Tereza Campelo e próximo ao ex-ministro José Dirceu, já condenado na Operação Lava Jato. É suspeito de ter iniciado as tratativas com a Consist e recebido valores ilícitos oriundos da empresa.
Outro alvo da operação que estava foragido, o advogado Guilherme Sales Gonçalves está em Portugal e vai se apresentar na próxima segunda-feira, segundo a Justiça Federal. A Polícia Federal não confirma as informações.

Pedido de prisão

Paulo Ferreira foi considerado foragido após ter a prisão preventiva decretada na quinta-feira (23) durante a operação Custo Brasil, que desarticulou um esquema de pagamento de propina no empréstimo do crédito consignado dos funcionários públicos federais.
Ferreira foi antecessor do também ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que teve um mandado de prisão expedido. Vaccari está preso desde 2015 em Curitiba após ser condenado na Lava Jato.

Os outros oito presos, incluindo o ex ministro do Planejamento Paulo Bernardo, estão sendo ouvidos na sede da Sexta Vara da Justiça Federal, na região da Paulista. O juiz Paulo Bueno de Azevedo está julgando a legalidade do pedido de prisão. Eles devem ser interrogados ainda nesta sexta pela Polícia Federal.

Por volta das 12h40, já tinham sido ouvidos o advogado Daisson Silva Portanova, o consultor Joaquim José Maranhão da Câmara e o ex secretário de Gestão da Prefeitura de São Paulo, Valter Correia da Silva.

Prisões mantidas

O procurador Rodrigo de Grandis disse por volta das 15h que todas as audiências de custodia realizadas até aquele momento geraram a manutenção das prisões preventivas. O ex ministro Paulo Bernardo será o último a ser ouvido. Após o depoimento, eles irão voltar para a sede da PF na Lapa.
De Grandis defendeu a busca e apreensão realizada no apartamento da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), mulher de Paulo Bernardo. O procedimento foi alvo de críticas do Senado, porque a senadora tem foro privilegiado. “O fato de o Paulo Bernardo ser casado com uma senadora não pode conferir a ele o foro que pertence a ela”, disse o procurador.

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