ESTIVE EM LISBOA E LEMBREI DE VOCÊ

Data de lançamento: 23 de junho de 2016 (1h 34min)
Direção: José Barahona
Elenco: Paulo Azevedo, Amanda Fontoura, Renata Ferraz mais
Gênero: Drama
Nacionalidades: Brasil, Portugal

SINOPSE E DETALHES

Não recomendado para menores de 16 anos

Sérgio de Souza Sampaio (Paulo Azevedo) mora em Minas Gerais e trabalha na Companhia Industrial de Cataguases. Levando uma vida modesta, ele decide emigrar para Lisboa, em Portugal.

CRÍTICAS

Coprodução entre Brasil e Portugal, Estive em Lisboa e Lembrei de Você é uma adaptação de romance homônimo de Luiz Ruffato. Conta a história de um jovem mineiro de Cataguases que, após uma série de decepções em sua vida pessoal, decide se mudar para Portugal com o sonho de juntar dinheiro e voltar para o Brasil. Em terras europeias, descobre que a realidade do imigrante é muito diferente da idealizada.

Estive em Lisboa e Lembrei de Você apresenta dois filmes em um. Possui momentos de péssima qualidade e outros de grande delicadeza. Pode ser dividido entre “parte brasileira” e “parte portuguesa”. Enquanto a trama está no Brasil, estamos diante de um longa irregular e mal desenvolvido. Tudo é muito corrido na vida do protagonista Sérgio (Paulo Azevedo) e o espectador não tem tempo de se interessar pelo personagem. Ele conhece, se apaixona, casa, tem filho e entra em crise em poucos minutos. É impossível criar relação entre público e personagens. Não há envolvimento.

O núcleo brasileiro também é prejudicado por atuações artificiais, especialmente da atriz que vive a mãe de Sérgio, e por um momento totalmente gratuito de nudez da atriz que vive seu par romântico (Amanda Fontoura). Num momento que deveria representar uma crise de depressão e loucura, o diretor coloca sua atriz completamente nua “dançando” em uma fonte de água. A cena é conduzida de forma de valorizar a sensualidade e beleza da atriz e não os problemas emocionais da personagem.

Eis que Sérgio decide ir para Portugal. E o filme agradece, e muito. Se o drama pessoal no Brasil não funciona, o drama social na Europa é muito bem conduzido. A produção deixa de lado a pressa e passa a abordar de forma pausada o dia a dia do protagonista. Em Lisboa, ele logo se depara com os problemas de ser imigrante em uma terra estrangeira. Ele descobre que o país não oferece tantos empregos quanto esperava e que a maioria destes diz respeito a vagas em obras, que pagam mal e exploram o trabalhador.

Sérgio consegue uma vaga em uma pensão e um trabalho em um restaurante local. Consegue ganhar algum dinheirinho, mas acaba gastando tudo. O sonho de juntar ao ponto de mandar para a família no Brasil não se realiza. Sua rotina de trabalho e desolação é abalada ao conhecer uma jovem brasileira (Renata Ferraz) que trabalha como garota de programa. Os dois começam uma relação de apoio e intimidade, mas aos poucos a realidade do mundo daquela mulher também vai mostrando presença.

O diretor José Barahona realizou uma obra irregular, mas com personalidade. Conta com tomadas belíssimas, tanto do campo brasileiro, quanto do universo urbano português, mas falha na construção dos personagens.

Oferece uma boa reflexão sobre o sonho de buscar sucesso lá fora, que nem sempre é possível. Um dos principais méritos do roteiro é não julgar seu protagonista. O público pode fazer isso diante de algumas atitudes, mas o filme é honesto e demonstra muito carinho com Sérgio. Afinal, todos estamos sujeitos a termos nossos sonhos partidos.

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