Depois da reforma trabalhista, medo do desemprego cresce

21/02/2017- São Paulo- SP, Brasil- Empresa de tercerização de segurança e limpeza seleciona candidatos, causando grandes filas, no bairro de Campos Elíseos, no centro de São Paulo. Foto: Cesar Itiberê / Fotos Públicas

O medo do desemprego no país subiu 1,8 ponto entre março e julho de 2017, para 66,1 pontos, quarto maior valor da série histórica iniciada em 1999, informou ontem a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Quanto mais alto é o indicador, maior é o receio de perder o posto de trabalho. O valor está 17,3 pontos acima da média histórica, que é de 48,8 pontos.
A alta se deu em meio ao agravamento da crise política e após a aprovação, no início daquele mês, da reforma trabalhista, que permite, entre outras novidades, o trabalho intermitente (sem jornada definida) e reduz o poder dos sindicatos.
De acordo com a CNI, a alta mais expressiva se verificou nas regiões norte e centro-oeste, onde o indicador passou de 57,3 pontos em março para 66,9 pontos em julho, uma alta de 9,7 pontos.
“Os brasileiros continuam com muito medo de serem afetados pelo desemprego”, avaliou o órgão.
Apesar de ter gerado preocupações, a reforma da CLT, ao contrário, pode gerar vagas. Estudo recente do Santander estimava em 2,3 milhões o potencial de novos empregos com as mudanças na lei.
O IBGE mostrou que o número de desempregados no segundo trimestre ficou em 13,5 milhões, enquanto o total de pessoas sem carteira assinada somou 10,7 milhões, acima das previsões dos analistas. Isso provoca uma alta da insatisfação. Até quem está empregado fica com medo de perder a vaga. Inseguro no emprego, o trabalhador corta gastos e o consumo cai, o que pode provocar demissões.
Satisfação com a vida
A CNI também divulgou o índice de satisfação com a vida, que melhorou 0,3 pontos em julho ante março, para 65,9 pontos.

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