Cúpula do PMDB decidirá no dia 29 se partido rompe com governo Dilma

Eduardo Cunha cobrou que PMDB discutisse imediatamente rompimento.
Para presidente da Câmara, nomeação de Mauro Lopes foi ‘desrespeito’.

A Comissão Executiva Nacional do PMDB decidiu nesta quinta-feira (17) antecipar para o dia 29 a reunião que irá definir se o partido romperá ou não oficialmente com a presidente Dilma Rousseff. Dos 32 ministérios, o PMDB comanda sete: Aviação Civil, Turismo, Minas e Energia, Agricultura, Portos, Ciência e Tecnologia e Saúde.

No último sábado (12), o partido decidiu, em sua convenção nacional, dar prazo de 30 dias para a cúpula peemedebista decidir sobre o desembarque do governo. No mesmo evento, o PMDB, que é o principal aliado de Dilma no Executivo, reconduziu Michel Temer à presidência da legenda por mais dois anos e proibiu que seus filiados assumissem qualquer cargo no governo federal nos 30 dias seguintes.

A intenção do vice-presidente da República era agendar a reunião para tratar do rompimento com o governo por volta de 10 de abril, entretanto, ele passou a sofrer pressões de parlamentares e representantes de diretórios estaduais para antecipar o encontro.

Outro fato que contribuiu para a antecipação da reunião foi a nomeação do deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) para o comando da Secretaria de Aviação Civil à revelia da decisão partidária que proibia os peemedebistas de assumirem vagas no Executivo.

Na manhã desta quinta, Temer não compareceu à cerimônia de posse de Mauro Lopes no Palácio do Planalto. A assessoria do vice-presidente informou que ele considerou uma “afronta” a posse do deputado do PMDB no primeiro escalão.

À TV Globo, Michel Temer afirmou que o processo de expulsão de Mouro Lopes do partido começará a ser analisado a partir desta sexta-feira (18).
O novo ministro da Aviação Civil, porém, afirmou nesta quinta que não abandonará o PMDB e classificou como sábia a decisão de Temer de não participar da cerimônia de posse dele e de outros três ministros.

“Eu não vou abandonar o PMDB. O PMDB é muito grande. Temos hoje sete ministro no governo. Como vai tomar medida precipitada, contra um filiado do partido? Eu não preocupo com isso. São momentos de emoção, é passageiro. As pessoas mais exaltadas eu sei que vão conscientizar depois, ver trabalho que sempre prestei ao PMDB com lealdade e dedicação”.

Cunha
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), classificou nesta quinta-feira de “desrespeito” ao PMDB a nomeação do deputado Mauro Lopes para a Secretaria de Aviação Civil. Inimigo declarado do governo, o peemedebista defendeu a realização de uma reunião imediata do diretório nacional do partido para discutir o desembarque oficial da base aliada.

“O governo nomear ministro havendo essa decisão da convenção é um desrespeito ao partido. O PMDB está num processo de profunda divisão e com discussão da sua saída, que foi marcado um prazo de 30 dias para que o diretório nacional se reunisse. Defendo que a reunião do diretório seja já, na semana que vem. Acho que o PMDB tem que decidir”, afirmou Eduardo Cunha.
“Há um desconforto do PMDB com essa situação e eu pessoalmente defendo que se reúna imediatamente o diretório, para que se defina essa situação”, completou o presidente da Câmara.

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