Crise política afetará juro e dólar em 2018

DIM DIM
A crise política que abala o governo Michel Temer vai custar caro. Para analistas, o maior efeito das turbulências será sentido em 2018, ano eleitoral, e não em 2017. A expectativa é que o crescimento da economia seja mais fraco do que o esperado, basicamente por causa da expectativa de dólar mais caro e queda menor dos juros.
“O processo de recuperação da economia brasileira será lento e não ocorrerá na velocidade esperada”, disse o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Julio Mereb, para quem o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas em um país) vai crescer 1,8% em 2018, abaixo da estimativa anterior de 2,5%.
A crise política eclodiu em 17 de maio, após Temer ser atingido pela delação da JBS e que acabou levando-o a ser investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
A principal dúvida do mercado é se o governo, enfraquecido politicamente, vai ter condições de levar adiante no Congresso reformas importantes, como a da Previdência, essencial para colocar as contas públicas em ordem. Uma demora maior para reduzir o crescimento da dívida pública afasta uma queda mais acelerada das taxas de juros. Como resultado, a economia vai crescer menos.
“A taxa de juros também foi afetada pela crise política”, disse o economista da consultoria 4E, Bruno Lavieri, ressaltando que reduziu a expectativa de crescimento para 2018 a 1,2% (ante 2%).
Antes da crise política, Lavieri via a Selic (taxa básica de juros) em 7,50% neste ano, mas agora prevê que ela feche em 8,25%. Atualmente, ela está em 10,25% ao ano.
Desde a delação da JBS, o dólar saiu do patamar de R$ 3,10 para R$ 3,30, o que pode prejudicar a tendência de queda inflação e afetar o corte dos juros. Para o Itaú Unibanco, a moeda dos EUA deve ficar em R$ 3,60 em 2018, contra R$ 3,35 previstos antes.

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