Conselho da Petrobras avaliará indicação de Pedro Parente no dia 23

Parente foi indicado por Michel Temer para assumir presidência da estatal.
Enquanto isso, continua à frente da Petrobras Aldemir Bendine.

A Petrobras informou na manhã desta sexta-feira (20) que seu Conselho de Administração vai avaliar, durante reunião extraordinária agendada para segunda (23), a indicação de Pedro Parente para o cargo de presidente da petroleira.

Até o resultado da reunião do conselho, continua no cargo de presidente da estatal Aldemir Bendine, que está no posto desde o ano passado, quando foi nomeado no governo da presidente afastada Dilma Rousseff.

Em comunicado, a petroleira informou que o Conselho de Administração irá apreciar também a indicação de Parente para integrar o colegiado. Os atuais conselheiros foram eleitos em abril em assembleia de acionistas para um mandato de 2 anos. Dos 10 conselheiros, 7 foram indicados pelo governo Dilma, incluindo o atual presidente do conselho, Luiz Nelson Guedes de Carvalho.

A assessoria de imprensa da Presidência da República anunciou na noite desta quinta (19) que o ex-ministro Pedro Parente seria o novo presidente da Petrobras. O anúncio ocorreu após ida de Parente ao Palácio do Planalto para conversa com o presidente em exercício Michel Temer.
De acordo com o colunista Gerson Camarotti, o convite para que Parente assuma o comando a Petrobras faz parte da estratégia de Temer de colocar no segundo escalão os chamados “notáveis”, com perfil mais técnico. A escolha de Parente tem como objetivo blindar a Petrobras, alvo do maior escândalo de corrupção no governo Dilma. O loteamento político da estatal por PT, PMDB e PP é o foco da investigação da Operação Lava Jato.

Chefe da Casa Civil no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Pedro Parente ocupa atualmente a presidência do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, mandato para o qual foi eleito em março do ano passado.

Segundo o site da BM&F Bovespa, o novo presidente da Petrobras iniciou a carreira no serviço público no Banco do Brasil, em 1971, e, em 1973, se transferiu para o Banco Central.
Formado em engenharia pela Universidade de Brasília (UnB), ele exerceu, além de outras funções, o cargo de consultor do Fundo Monetário Internacional e coordenou, em 2002, a equipe de transição do governo FHC quando o ex-presidente Lula foi eleito.

A confirmação do novo presidente da Petrobras ocorre em meio aos anúncios do governo sobre postos estratégicos no segundo escalão, como os recentes nomes que foram divulgados para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e para a presidência do Banco Central.

Há, ainda, a expectativa de que sejam anunciados nos próximos dias os nomes dos novos presidentes de bancos públicos como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste.

Perfil

Parente se formou em engenharia elétrica pela Universidade de Brasília (UnB) em 1976. Ele foi ministro entre 1999 e 2003, passando pela Casa Civil, pelo Planejamento e pela pasta de Minas e Energia. Coordenou a equipe de transição do governo de Fernando Henrique Cardoso para o de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2001, foi escalado para o gabinete especial formado para enfrentar a crise energética, apelidada de “apagão”.
Depois que saiu do governo, Parente foi vice-presidente executivo do grupo RBS. Ele atuou, ainda, nos conselhos da Petrobras e do Banco do Brasil. Entre 2010 e 2014, foi presidente da Bunge Brasil, uma das maiores exportadoras do país.

Após deixar a companhia, Parente passou a se dedicar à Prada Assessoria, sua consultoria financeira para gestão de fortunas, que tem como sócia a mulher dele, Lucia Hauptman.

Repercussão

Adriano Pires, diretor e sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), considerou Parente uma boa escolha. “O nome dele é ótimo, é um gestor público, nada contra. Mas as pessoas estão sempre procurando o salvador da pátria e se esquecem que o problema é ter um plano estratégico. A Petrobras é hoje uma empresa que está quebrada. Pode pegar o melhor executivo do mundo que não resolve o problema da Petrobras”, afirmou.

Ele criticou, no entanto, o processo de troca de comando: “quem indica o presidente é sempre o acionista majoritário, mas acho que está todo errado o processo. O governo tinha que chamar uma assembleia, dissolver o atual conselho de administração, indicar um novo e esse conselho escolher o novo presidente da Petrobras”.

Em nota, a Federação das Indústrias do Rio (Firjan) disse que a indicação de Parente “é um
passo decisivo para a recuperação da mais icônica companhia brasileira”. “O currículo de Pedro Parente o credencia amplamente para a missão nobre a que agora se dedicará”, aponta a entidade.

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