CONEXÃO ESCOBAR

Data de lançamento 15 de setembro de 2016 (2h 07min)
Direção: Brad Furman
Elenco: Bryan Cranston, Diane Kruger, John Leguizamo mais
Gênero: Suspense
Nacionalidade: Eua

SINOPSE E DETALHES

Flórida, 1985. Robert Mazur (Bryan Cranston) é um oficial da alfândega que recebe a missão de trabalhar infiltrado, com o objetivo de eliminar um cartel de drogas cuja origem está em Pablo Escobar, chefe do tráfico em Medellín. Para tanto ele recebe a ajuda de Emir Abreu (John Leguizamo), seu colega de trabalho, e se apresenta como alguém capaz de lavar o dinheiro gerado pelas drogas nos Estados Unidos. Usando o pseudônimo Robert Musella, ele aos poucos ascende na hierarquia do tráfico, contando ainda com a ajuda da agente Kathy Ertz (Diane Kruger), que se faz passar por sua noiva.

Crítica

Histórias verídicas em que alguém infiltrado ajuda a desbaratar poderosas quadrilhas sempre foram prato cheio para o cinema, tanto pela questão da confiança traída como pelo sacrifício da vida pessoal no combate ao crime. Nos bons filmes deste subgênero, estas duas características se fundem de forma a transmitir a dúvida existente entre a consciência e a lei, levando também em consideração os relacionamentos humanos formados a partir do disfarce – Donnie Brasco, com Johnny Depp e Al Pacino, é um ótimo exemplo. Conexão Escobar, nova investida de Bryan Cranston no cinema, segue esta mesma fórmula. Mas, apesar de até trazer uma história interessante, fica bem distante de envolver, e até convencer, o espectador.

É até fácil compreender o porquê de Cranston ter sido convidado para este longa-metragem, já que seu Robert Mazur, que se traveste de Bob Musella, mantém uma vida dupla semelhante à vivida pelo personagem mais conhecido do ator: o Walter White de Breaking Bad. Só que, se na série tal dualidade é trabalhada de forma a trazer o reflexo de suas mentiras na vida pessoal, isto passa ao largo de Conexão Escobar. Até há algumas poucas cenas envolvendo o descontentamento da esposa de Mazur com tal situação, mas a grande verdade é que o filme pouco se importa com esta faceta da história real retratada. O que, diga-se de passagem, acontece também em vários outros momentos relevantes.

Dirigido de forma bastante burocrática por Brad Furman (O Poder e a Lei), Conexão Escobar se limita a retratar a história de Mazur/Musella sem se ater a detalhes ao seu redor. Não há bem um foco definido: o filme mostra a amizade existente com o também infiltrado Emir Abreu (John Leguizamo), sua relação com a noiva de fachada Kathy Ertz (Diane Kruger) e a ascensão dentro do tráfico de drogas, mas nenhuma destas situações é aprofundada. O que inevitavelmente gera dúvidas: como uma agência do governo conseguiu bancar a lavagem de tamanho montante de dinheiro, por tanto tempo? Quais são as motivações de Kathy para entrar nesta tarefa, e até mesmo sua história pregressa? Com base em que, além do fato de trabalharem juntos, se dá a confiança existente entre Mazur e Abreu? A falta destas historietas paralelas impede que o filme como um todo ganhe a consistência necessária para tornar sua história verossímil, por mais que desde o início o público seja informado de que este seja um filme baseado em um caso real.

Há ainda outros problemas, em relação à temática abordada. Sempre que uma ameaça à operação surge, ela logo é descartada com uma facilidade impressionante – e sem a menor desconfiança dos demais envolvidos, o que mais uma vez levanta dúvidas sobre a narrativa. Além disto, Conexão Escobar insinua certos caminhos até interessantes, como a importância do tráfico para a economia norte-americana, mas não apresenta a coragem necessária para esmiuçá-lo a fundo. É como se contentasse com o básico, deixando de lado tudo aquilo que poderia aprofundar a saga vivida por Mazur.

Por mais que até traga uma interessante ambientação de fotografia e figurino, de forma a caracterizar a estética dos anos 1980, Conexão Escobar fracassa pelas opções de roteiro e pela direção brusca, alternando subtramas de forma repetina. Bryan Cranston faz o que pode para dar alguma humanidade ao seu personagem, mas fica difícil diante de tamanha desimportância dada a qualquer viés de sua personalidade ou até da situação por ele vivenciada. Sem ritmo, mal dirigido e com um elenco subaproveitado, deixa a sensação de ser esta uma história de potencial que poderia ser bem melhor aproveitada no cinema caso caísse em mãos mais talentosas.

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