Como um médico cubano está ajudando índios brasileiros a resgatar o uso de plantas medicinais

Até mesmo aquilo que cura em excesso pode nos prejudicar.

O médico cubano Javier Isbell Lopez Salazar, quando chegou à aldeia Kumenê, localizada no Oiapoque, extremo norte do Amapá, e começou a atender a população indígena local, percebeu que era esse o caso que vinha ameaçando e adoecendo os moradores da aldeia: o uso excessivo e descuidado de antibióticos.

Desde que, na década de 1960, missionários cristãos evangelizaram a população local, o povo indígena foi convencido de que a tradicional utilização de plantas e chás medicinais para cura eram uma espécie de “feitiçaria”, os antibióticos substituíram por completo a cura natural.

As dosagens irregulares e o uso desenfreado, porém, transformaram a cura em doença. Foi então que o médico cubano, que veio para o Brasil através do programa Mais Médicos, em 2014, decidiu por retomar o antigo e super saudável hábito de medicar a população através de ervas e plantas naturais. Boa parte das doenças que existentes na aldeia podia, afinal, ser facilmente tratada através das plantas medicinais presentes ao redor do povoado.

Salazar então acabou criando uma horta feita inteiramente de plantas curativas citadas na literatura científica – e portanto comprovadamente boas à saúde – e começou pouco a pouco a desmistificar o sentido “maligno” que havia sido atribuído ao antigo hábito – e, assim, começou a salvar vidas.

Segundo o clínico, qualquer pessoa pode prevenir diversas doenças e mudar seu estilo de vida através de plantas como boldo, sabugueiro, “amor crescido”, babosa e manjericão, entre outras – todas presentes em sua horta. Por exemplo a gripe, doença com mais incidência entre a população indígena, passou a ser tratada com o sabugueiro, sem os males que o uso do antibiótico pode trazer.

Outros hábitos, como cuidar da contaminação da água e da higiene, foram ensinados por Javier às populações – que, aos poucos, através da própria sabedoria esquecida, e do trabalho de Salazar, substitui o preconceito pela saúde.

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