BC do Japão adota taxa de juros negativa e bolsas asiáticas sobem

País surpreende mercado ao cortar juros para -0,1% ao ano; política tem como objetivo estimular a inflação, hoje em 0,1%

O Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) surpreendeu o mercado ao cortar sua taxa de juros de 0,1% para -0,1% nesta sexta-feira, uma medida inédita no país. A decisão, aprovada por 5 votos a 4 numa reunião de política monetária de dois dias, é mais uma tática para estimular a inflação japonesa. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), também divulgado nesta sexta, avançou 0,1% em dezembro ante o mesmo mês de 2014.

Em comunicado, o BoJ afirmou que a política de taxa de juros negativa foi introduzida para “evitar a manifestação de risco (de baixa) e manter o ímpeto para atingir a meta de estabilidade de preços de 2%”. O BoJ alertou também que, se necessário, poderá reduzir ainda mais a taxa.

Em coletiva de imprensa que se seguiu à decisão do BoJ, o presidente do banco, Haruhiko Kuroda, negou avaliações de que a política iniciada há três anos, que vem inundando o setor bancário com recursos financeiros numa tentativa de impulsionar a inflação, tenha se esgotado. “Isso significa que vamos implementar o relaxamento monetário através de três dimensões, ou seja, quantidade, qualidade e taxas de juros”, completou.

As mudanças no programa do BoJ vêm três anos depois das agressivas compras de ativos, que normalmente são descritas como relaxamento monetário de uma “dimensão diferente”, ficarem aquém das expectativas do BC japonês. Kuroda garantiu que, se necessário, o BoJ vai adotar novas medidas por meio dos três canais para atingir sua meta de inflação, que é de 2%, o mais cedo possível.

Kuroda ressaltou ainda que a taxa negativa e o relaxamento serão mantidos até que o BoJ cumpra sua meta de preços.

Bolsas. A taxa de juros negativa do Japão influenciou positivamente os mercados asiáticos, que fecharam em alta nesta sexta. Alguns investidores haviam antecipado que o BoJ relaxasse mais a política monetária, mas poucos citavam a possibilidade de que fosse adotada taxa de juros negativa. Estrategistas do Barclays disseram que essa é uma demonstração de que o país está comprometido a estimular a inflação.

Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 2,80%, fechando em 17.518,30 pontos, enquanto os juros dos bônus do governo do Japão recuaram para níveis historicamente baixos. Na semana, o Nikkei se valorizou 3,3%, porém no mês o índice teve queda de 7,71%. Ações de incorporadoras estiveram em destaque, com a expectativa de custos mais baixos para empréstimos: Sumitomo Realty & Development subiu 12% e Mitsubishi Estate, 10%. No setor financeiro, porém, a ação do BoJ pesou negativamente, com Mitsubishi UFJ Financial Group caindo 2,8% e Japan Post Bank em baixa de 6,7%.

Nos mercados chineses, as ações passaram a subir após o PBoC realizar a injeção de 100 bilhões de yuans. Com isso, nesta semana o BC chinês realizou uma injeção líquida de caixa em patamar recorde, de 690 bilhões de yuans. A ação ocorre no momento em que muitos chineses sacam dinheiro, antecipando-se para o feriado do Ano Novo Lunar, na segunda semana de fevereiro. O índice Xangai Composto subiu 3,1% hoje, para 2.737,60 pontos, e o Shenzhen Composto, de menor abrangência, avançou 3,7%, para 1.689,43 pontos. Em janeiro, o Xangai Composto acumulou queda de 23%, seu pior desempenho mensal desde outubro de 2008.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em alta de 2,54%, em 19.683,11 pontos. Na semana, o Hang Seng subiu 3,16%, mas em todo o mês de janeiro registrou recuo de 10,53%. Em Taiwan, o Taiex subiu 2,22%, para 8.080,60 pontos, no seu fechamento mais alto em quatro semanas e giro alto. Com a atividade econômica recuando no quarto trimestre, o Standard Chartered prevê que o Banco Central de Taiwan corte a taxa de juros duas vezes neste ano, em março e junho.

Na Oceania, índice S&P/ASX 200 fechou em alta de 0,59% na Bolsa da Austrália, em 5.005,50 pontos. O índice subiu 1,8% na semana, mas caiu 5,5% em janeiro, sua maior queda mensal desde 2010. Hoje, uma cesta de ações do setor de energia subiu 5,5% na Bolsa da Austrália, após o petróleo avançar na sessão anterior ante especulações sobre um eventual corte na oferta pela Rússia e pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

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