Acarajé é nutritivo e traz benefícios à saúde, mas não exagere

Apesar do alto valor calórico, o quitute baiano pode fazer parte da dieta. Porém, é preciso cuidado com as combinações.

Amado pelos baianos e considerado patrimônio cultural do país, o acarajé é mais do que um prato típico. Está no DNA da Bahia. O bolinho é preparado com feijão fradinho, cebola, alho e frito no azeite de dendê, além de levar recheios como vatapá, pimenta e camarão seco. Uma deliciosa mistura que, consumida com moderação, pode trazer benefícios à saúde. Mas é bom não exagerar e ficar atento às combinações pesadas e ao modo de preparo.

Para a nutricionista do Hapvida em Salvador, Luciana Silva de Araújo, é possível comer acarajé sem descuidar do corpo e da saúde. “O bolinho leva ingredientes com alto valor nutritivo, como o feijão fradinho, rico em ferro, cálcio e potássio, e o azeite de dendê, que contém antioxidantes, como as vitaminas A e E, que evitam o envelhecimento precoce e combatem os radicais livres, causadores de lesões nas células”, afirma.

Como varia muito no tamanho e na quantidade de ingredientes no preparo, o valor nutritivo do acarajé é difícil de ser definido. Mas um estudo realizado pela Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no entanto, calcula que cada bolinho sem recheio em média tem 272 calorias. Com os acompanhamentos, a estimativa é de 323 calorias.

Números que para o administrador de empresas Anderson de Araújo, 35 anos, não se compara à satisfação de comer o acarajé. “Faço exercícios físicos regularmente e, como todo baiano, me dou ao direito de comer no mínimo um acarajé a cada 15 dias”, confessa.

Vilões para a saúde

Apesar dos benefícios nutritivos à saúde, a nutricionista alerta que, por se tratar de um alimento frito e com alto valor calórico, o acarajé deve ser consumido com moderação. “O azeite de dendê corresponde a cerca de 30% do valor nutricional do acarajé. Por ser frito, o bolinho tem uma grande quantidade de gorduras saturadas e pode causar indigestão, principalmente para quem não está acostumado”, afirma Luciana.

Extraído de uma palmeira conhecida como dendezeiro, o azeite de dendê tem a cor avermelhada pela presença de vitamina A. O aquecimento do óleo para fritura, entretanto, acaba destruindo parte desta vitamina e gerando a gordura saturada, o que eleva o colesterol ruim (LDL) e reduz o colesterol bom (HDL).

Para deixar o lanche mais saudável, é bom evitar algumas combinações. “É comum comer acarajé com refrigerante e pedir ainda uma porção extra de camarão seco. É muito pesada para o organismo. O camarão seco possui uma grande quantidade de sódio e corantes, assim como os refrigerantes. O ideal é pedir pouco camarão e para beber optar entre o suco natural e a água de coco”, aconselha. E para aquele que não resistiu à tentação e exagerou na dose, Luciana sugere o bom chá digestivo, como hortelã, alecrim e boldo.

Cuidados com a higiene

Herdeira de um famoso tabuleiro de acarajé, Elaine Michele Assis Cruz, 32 anos, mantém dois quiosques. O sucesso de vendas – em média 350 unidades por dia – está ligado à qualidade do acarajé que está há quatro gerações em sua família. “Todos os anos, faço questão de participar do curso que a Vigilância Sanitária realiza em Salvador, específico para a produção e manipulação de acarajé. Informações que repasso para todas as funcionárias que trabalham em nossos quiosques”, afirma.

Para garantir a qualidade dos quitutes, a nutricionista do Hapvida ressalta que é fundamental ficar de olho na maneira como o acarajé é preparado no tabuleiro da baiana. “Alguns cuidados são fundamentais, como manter as vestimentas limpas, não manusear dinheiro junto aos alimentos, armazenar os ingredientes em embalagens fechadas e em local refrigerado, e respeitar o prazo de validade de cada alimento”, enumera.

Cultura e tradição apimentada

Como faz parte da cultura, a venda do acarajé no tabuleiro da baiana deve seguir o que manda a tradição: as roupas nas cores do santo do dia, a saia rodada, os colares de contas e as pulseiras.

Regulamentada desde 1999, a atividade de ‘baiana do acarajé’ foi reconhecida em 2002 como bem cultural de natureza imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e já foi homenageada em verso e prosa por artistas como Dorival Caymmi, Gal Costa, Carmem Miranda e Ary Barroso.

Atualmente, as baianas representam uma importante atividade econômica do Nordeste, com mais de 3 mil mulheres registradas na Associação das Baianas de Acarajé e Mingau do Estado da Bahia. Dessas, 70% são chefes de família e mantêm a renda mensal com a venda do famoso quitute apimentado.

Elaine, que trabalha com a produção de acarajé desde os 12 anos, viu sua família se estruturar baseada na venda dos bolinhos. “O acarajé é a minha vida, nos proporcionou o acesso à educação. Sou formada e pós-graduada, mas quando me perguntam sobre a minha profissão, eu digo com orgulho: sou baiana do acarajé”. O acarajé é, portanto, um prato carregado de tradição adorado por todos, que se consumido com moderação faz bem à saúde.

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